O que significa perdoar?

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Por Maurício Zágari em Perdão total no casamento

O Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos. Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata. Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida. O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: “Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo”. O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir (Mateus 18.23-27).

Certa vez, ofendi minha esposa. Errei feio. Não foi uma coisa bonita. Ao ofendê-la, contraí com ela uma dívida moral. Tornei-me seu devedor. E, acredite, dívidas morais são muito mais difíceis de serem pagas do que as financeiras. Quando me dei conta do que havia feito, percebi que não conseguiria pagá-la nem com todo o dinheiro do mundo. Arrependido, pedi perdão e ela me perdoou. Com aquele gesto, Alessandra cancelou a dívida que eu tinha com ela.

A melhor forma de entender o perdão é como o cancelamento de uma dívida. Quando alguém erra com você, ele se torna seu devedor. Há uma dívida moral a ser paga. Se você perdoa essa pessoa, está dizendo a ela: “Você não me deve mais absolutamente nada”. Perdoar é estender clemência a alguém que precisaria cumprir uma pena, é um indulto, um ato pelo qual a pessoa é desobrigada a cumprir o que era de seu dever ou obrigação. Passou-se a borracha. Acabou. Livre!

Jesus explicou claramente o real significado de perdão na história conhecida como “parábola do credor incompassivo”. No relato, um servo devia uma fortuna ao seu senhor, e não era pouca coisa. Qualquer ofensa ou erro que cometemos tem um custo altíssimo. E o homem não tinha condições de pagar aquilo, assim como nós também não temos como pagar ofensas que cometemos. A única forma de essa dívida ser satisfeita? “O senhor daquele servo […] cancelou a dívida e o deixou ir.”

Cada erro que alguém comete contra você é um tanto a mais que ele lhe deve. Muitos erros somados configuram uma dívida enorme. Uma empresa que se afunda em dívidas daqui a pouco não terá nada a fazer a não ser pedir falência e fechar as portas. A mesma coisa ocorre com os erros cometidos na vida conjugal: se forem cometidos sem que se faça nada a respeito, em pouco tempo o tamanho da dívida acumulada será tão grande que o casamento irá à falência. Erodido. Carcomido.

A saída para lidar com essa dívida impagável? Perdoá-la.

O mais lindo no perdão é que o ato de perdoar leva à solidificação do amor. Se a pessoa erra por ter falhado na sua demonstração do amor em atitudes, por exemplo, o perdão desse erro a levará a se desenvolver no mesmo amor, como Jesus demonstrou ao conversar com um homem chamado Simão. Ele disse:

“Dois homens deviam a certo credor. Um lhe devia quinhentos denários e o outro, cinquenta. Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?” Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem foi perdoada a dívida maior”. “Você julgou bem”, disse Jesus. […] “Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama” (Lucas 7.41-43,47).

Perdão é isto: conceder indulto a alguém que lhe deve muito, numa atitude motivada pelo amor e que promove e replica esse mesmo amor.

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