Quem é o seu Rei e Conselheiro? – Por Meno Kalisher

31

A cada ano, no Natal, temos um culto especial e singular na igreja. Não temos nenhuma árvore de Natal no palco da igreja nem em casa. Não mantemos nenhuma tradição não bíblica. Usamos a noite na igreja para dar enfoque ao nosso Senhor Jesus (Yeshua) e para orar para que os convidados que não são crentes sejam salvos. Todos os anos ministramos sobre uma profecia diferente relativa ao nascimento de Cristo. Uma das profecias mais importantes, porém mais ignoradas, é a que está em Miqueias 4.8-9.

“‘Quanto a você, ó torre do rebanho, ó fortaleza da cidade de Sião, o antigo domínio será restaurado a você; a realeza voltará para a cidade de Jerusalém.’ Agora, por que gritar tão alto? Você não tem rei? Seu conselheiro morreu, para que a dor seja tão forte para você como a de uma mulher em trabalho de parto?”

A Respeito do Profeta Miqueias

O nome do profeta é uma forma abreviada do nome Michayahu, que significa: quem é como tu, ó Senhor, dentre os deuses? (Êx 15.11; Mq 7.18). O nome do profeta está ligado à mensagem que ele transmite, uma vez que ele está afirmando que Deus é soberano sobre todos os homens e todas as nações. As Escrituras não apresentam o profeta usando o nome do seu pai, mas de acordo com a sua cidade. A cidade de Moresete fica localizada nas proximidades de Quiriate-Gate, da Filístia, na área de Laquis. O significado da palavra Moresete é: “o necessário”, “o desejado”.

Contexto Histórico

Miqueias, o profeta, ministrou durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, ou seja, durante a segunda metade do século VIII a.C. Sua mensagem foi contra os reis de Judá e de Israel. Miqueias foi contemporâneo de Isaías. Durante o reinado de Jotão (758-743 a.C.), Judá controlava a parte sul da Transjordânia e a área de Amom (2Cr 26.8; 27.5). Mais tarde, os amonitas se revoltaram contra Judá. Rezim, rei da Síria, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel (lembrando que as 12 tribos estavam divididas em dois reinos: Israel e Judá) fizeram uma aliança e juntos lutaram contra Judá (2Rs 15.37). Esses ataques contra Judá continuaram durante os dias do rei Acaz (741-726 a.C., ver Is 7).

O reino de Judá perdeu seu território em Edom e em Elate no Sul (2Rs 16.6; 2Cr 28.17), e os filisteus tomaram posse do território de Judá no Oeste e no Neguev (2Cr 28.18). Em 734 a.C., o reino de Judá perdeu sua independência e começou a pagar impostos para o reino da Assíria.

O rei da Assíria, Tiglate-Pileser III, tomou posse da Síria (2Rs 16.9) e, em 733 a.C., conquistou o leste da Transjordânia (1Cr 5.26) e a Galileia israelense (2Rs 15.29). O rei Acaz (726-697 a.C.) deixou para o rei Ezequias um reino de Judá pequenino e pobre, subjugado à Assíria. Durante o reinado de Ezequias, a situação econômica de Judá melhorou muito (2Rs 20.13; 2Cr 32.27-28; Is 39.2).

A Mensagem de Miqueias, o Profeta

Como outros profetas contemporâneos, Miqueias também criticou o povo rico de Judá, que abusava dos pobres e necessitados. A corrupção em todos os níveis da sociedade destruiu as células familiares, destituiu as viúvas de sua renda e de seus direitos sociais (Mq 2.2,8-9; 3.9-11). Os pobres e necessitados clamavam em alta voz, mas o único que os ouvia era Deus. A corrupção governamental era tão terrível que o profeta Isaías chamou os governantes de Judá de “governantes de Sodoma” e “povo de Gomorra” (Is 1.10).

A mensagem principal do profeta Miqueias foi: vocês quebraram as promessas da aliança que fizeram com Deus no Sinai. Portanto, vocês sofrerão os castigos escritos em Deuteronômio 28 e em Levítico 26.

O pior castigo era o exílio. O exílio destrói tudo o que uma nação conquistou. O exílio destrói as famílias e traz a nação de volta ao estágio inicial de pobreza. A profecia de Miqueias se cumpriu em Samaria no ano 722 a.C. e em Judá em três estágios: 604, 597 e finalmente em 586 a.C.

Não obstante o severo castigo aguardando Judá, o profeta Miqueias tinha certeza de que Deus mantém a esperança para o seu povo. Deus é fiel às suas promessas dadas a Abraão. Deus é fiel ao seu nome. Portanto, embora admoestando o povo de Judá quanto a uma punição vindoura, o profeta apresenta o belo futuro, quando o Messias, filho de Davi (Jesus) governará o mundo, mas também encoraja o povo a se arrepender e a restaurar seu relacionamento com Deus. Judá e Israel devem confiar no Senhor e ter fé nele, e não deveriam colocar sua confiança em reis que adoram ídolos estrangeiros.

Depois de avisar o povo de Israel sobre o severo e imediato castigo, o profeta Miqueias volta os olhos para o futuro – os últimos dias. Ele descreve o bendito período em que Cristo regerá o mundo a partir de Jerusalém. Sim, no futuro próximo, Jerusalém e o templo serão destruídos, mas nada nem ninguém são capazes de destruir o plano de Deus para o mundo e para seu povo escolhido – o povo de Israel (Jr 31).

Miqueias 4.1-7 apresenta a descrição do mundo sob o reinado do Messias. Descreve a situação e o relacionamento do remanescente de Israel e do remanescente das nações do Deus Messias no futuro. A passagem 4.1-7 é paralela à Isaías 2.1-4; 4.2-6; 11.1-16; 12.1-6; Zacarias 14.16-21; Apocalipse 20.1-6 e outras.

Quando o Messias Yeshua voltar à terra, com a igreja que foi arrebatada, no final da grande tribulação, ele destruirá todos os reis e exércitos que lhe forem contrários (Ap 19.11-21; Is 63.1-6; Sl 2). O período da tribulação refinará espiritualmente a população mundial, inclusive o povo de Israel. Zacarias 13.8-9 diz que dois terços da nação morrerão e que a terça parte que sobreviverá será salva e aceitará Jesus como Senhor e Salvador (ver Zc 12.10). Esses são os remanescentes de Israel e todos serão salvos (Rm 11.26). Então, e somente então, Israel cumprirá seu chamado inicial dado em Êxodo 19: vocês serão reino de sacerdotes!

Durante os 1.000 anos do reinado terreno de Cristo, todas as nações subirão a Jerusalém para ouvir a Palavra de Deus diretamente da boca de Cristo, o Rei do mundo. O mundo desfrutará de genuína paz porque o pecado será restrito (Is 11; 65-66; Ap 20). Todos os judeus habitarão na terra prometida (Ez 36–37; 47–48).

Nos versículos 8-9 do capítulo 4 de Miqueias, o profeta retorna ao tempo presente. Ao lermos nas entrelinhas, podemos ouvir o profeta dizer:

Se tais são as futuras bênçãos que virão sobre aqueles que confiam no Senhor e andam na sua luz, por que tu, Israel, não aspiras a tal fé e confiança nele hoje? Por que não estás almejando por um relacionamento assim bendito hoje? Por acaso Deus mudou? Será que ele não é capaz de defender você hoje?

Nesse ponto, o profeta Miqueias encoraja o povo a retornar ao Senhor em fé e confiança, e não colocar sua confiança em homens. Lemos em Miqueias 4.8-9:

“Quanto a você, ó torre do rebanho, ó fortaleza da cidade de Sião, o antigo domínio será restaurado a você; a realeza voltará para a cidade de Jerusalém. Agora, por que gritar tão alto? Você não tem rei? Seu conselheiro morreu, para que a dor seja tão forte para você como a de uma mulher em trabalho de parto?”

Lembremo-nos que o povo de Judá está se afastando das promessas da aliança feita no Sinai. Eles estão se arriscando a trazer contra eles mesmos terríveis punições. O remédio é simples e está perto, entre eles. Judá e Israel, não tenham medo dos reinos estrangeiros nem dos poderosos exércitos. Seu protetor vem de Migdal-Éder.

O profeta personifica uma localidade geográfica pelo nome: Migdal-Éder (torre do rebanho). Migdal-Éder está localizada logo do lado de fora de Belém-Efrata. É mencionada em Gênesis 35.21. Fica, de fato, nos campos dos pastores. É a torre para os guardas observarem animais selvagens e pessoas más, que podem colocar o rebanho em risco. Os campos dos pastores em Migdal-Éder eram os lugares onde as ovelhas eram criadas para se tornarem sacrifícios no templo (Lc 2). O profeta Miqueias personifica Migdal-Éder como a fortaleza e a defesa para Israel.

O que há de tão único em Migdal-Éder, que está localizada nos campos de Belém?

O Santo de Israel, o Messias Jesus, nasceu exatamente ali. O redentor de Israel, o Maravilhoso Conselheiro, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz está entre vocês! (Is 9.6-7). O defensor de Israel nasceu nos campos dos pastores de Belém-Efrata.

Não obstante o severo castigo aguardando Judá, o profeta Miqueias tinha certeza de que Deus mantém a esperança para o seu povo. Deus é fiel às suas promessas dadas a Abraão.

O profeta continua a falar e diz de Migdal-Éder: “… ó fortaleza da cidade de Sião”.

Fortaleza é um sinônimo de lugar de segurança e força – abrigo, cidadela etc. (Is 32.14; Ne 3.26; 11.21; 2Cr 27.3; 33.14). Cidade de Sião é sinônimo para Jerusalém (Is 1.8; 16.1; Jr 48.18). Em palavras simples, o profeta está dizendo: Jerusalém (Judá), sua segurança e vida vêm vindo de Migdal-Éder. O defensor de Judá virá dos campos dos pastores de Belém-Efrata.

Miqueias continua no versículo 8, dizendo: “… o antigo domínio será restaurado a você; a realeza voltará para a cidade de Jerusalém”.

O que é o antigo domínio?

A maioria dos estudiosos concorda que o antigo ou primeiro domínio está relacionado ao reinado de Davi. Em outras palavras, Deus promete restaurar o reinado da casa de Davi (2Cr 13.8-13), e esse reinado começará em Migdal-Éder. Uma prova de tal conclusão nos é apresentada em Miqueias 5.2: “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos”.

A única pessoa que se encaixa em todas as profecias messiânicas, e que nasceu em Belém-Efrata, é o Senhor Jesus (Yeshua). (Ver também Lc 2.1-21; Mt 1.18-25.)

A força de Jerusalém vem da fé e da confiança em Jesus (Yeshua) como seu Senhor redentor.

Como essas palavras estavam relacionadas ao povo de Judá nos tempos de Miqueias?

O povo de Judá está horrorizado pelo levante de potências estrangeiras. Devido à falta de fé em Deus, eles estão tentando encontrar segurança e paz nos lugares errados. Colocam sua fé nos reis que adoram ídolos gentios em vez de confiarem em Deus. O resultado é terrível. Essa é a razão para o versículo 9: “Agora, por que gritar tão alto? Você não tem rei? Seu conselheiro morreu, para que a dor seja tão forte para você como a de uma mulher em trabalho de parto?”.

As tristes consequências de terem abandonado a Palavra de Deus aparecem nos rostos do povo de Judá. O medo os paralisou.

O profeta está perguntando: uma vez que o Rei do mundo está vindo de vocês, por que estão gritando de medo? Por que estão se parecendo com uma mulher com dores de parto? Vocês não têm um rei? Seu rei não tem bons conselheiros? (Jeremias usa uma expressão semelhante no capítulo 8.19 de seu livro.)

Havia um rei em Judá, mas esse rei iníquo não trazia paz nem segurança para o povo. Ele tinha conselheiros, mas eles falavam para o rei o que este queria ouvir e não a verdade da Palavra de Deus. Como este rei se afastou da fé, ele trouxe maldições sobre os habitantes de Judá. O único rei que irá vencer todas as ameaças e trazer paz eterna virá de Migdal-Éder.

Com um pouco de sarcasmo e crítica, o profeta Miqueias oferece um rei melhor e um conselheiro melhor. Tanto rei como conselheiro encontram o cumprimento em Jesus Cristo, o Rei de Israel e do mundo.

A resposta de Miqueias ao povo é muito clara. O temor paralisante veio sobre o povo de Judá porque eles se afastaram de Deus e rejeitaram sua verdade, que está em sua Palavra. Se você tivesse Deus em seu coração, todas as guerras e dificuldades não o tocariam nem lhe fariam mal algum. Sua paz e segurança se encontram no seu Rei Yeshua, que virá dos campos dos pastores de Belém-Efrata (Migdal-Éder).

Neste Natal, quem é o seu rei e conselheiro? Você reconheceu aquele que veio de Migdal-Éder, de Belém-Efrata?

Coloque sua confiança no único que é o Redentor de todos.

Comentários