Publicada em 12/01/2018 às 13:16

Volume cai, mas participação de Mato Grosso aumenta

Levantamento da Conab mostra que a produção de MT será 1,5% menor em relação ao ciclo anterior, mas com maior participação no ‘bolo’ nacional.

A safra 2017/18 de Mato Grosso deverá ser 1,9% menor que o volume totalizado no ciclo anterior, conforme dados do 4º levantamento divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se os dados se confirmarem, a produção de grãos e fibra somará 60,77 milhões de toneladas ante o recorde do ano passado, quando o Estado colheu pouco mais de 61,98 milhões de toneladas (t).

Apesar de encolher a oferta, os números mostram que Mato Grosso poderá ampliar sua participação no ‘bolo’ nacional, respondendo sozinho por 26,77% da safra – mais de um quarto do total projetado ao Brasil – ante 26,15%, em 2017. Assim como no Estado, a produção nacional deverá ser menor (-4%), em relação ao ciclo passado. A queda na produtividade será a responsável pelos volumes menores da safra 2017/18.

Soja e milho são apontados como responsáveis pela projeção pessimista ao Estado, já que ambas devem produzir hectares com menor rendimento em relação ao ano passado.

Mesmo com projeção negativa, Mato Grosso seguirá pelo sétimo ano seguido como o maior produtor do Brasil, mantendo larga diferença entre o segundo colocado, o Paraná.

Todos os grandes produtores brasileiros também apresentam projeção de queda na comparação anual. Para o Paraná a projeção é de 37,88 milhões/t, redução de 7,3%, para o Rio Grande do Sul estão previstas 32,98 milhões/t e queda de 7,1% e para Goiás a Conab prevê 21,62 milhões/t, -1,1% em relação à safra passada.

ANÁLISE – A safra mato-grossense se alicerça basicamente sobre as culturas da soja, do milho e do algodão. Dessas, somente o algodão tem projeção otimista e deverá aumentar a oferta anual da pluma em 5,2%. Soja e milho deverão recuar 1,3% e 2,6%, respectivamente, conforme a Conab.

Em Mato Grosso, o plantio do algodão de primeira safra já começou na região sudeste do Estado, ainda que em ritmo lento. Estima-se que até final de dezembro cerca de 15% do total tenham sido semeados, representando 99 mil hectares plantados com a fibra. Na região, há relatos de áreas de cultivo de soja sendo incorporadas ao plantio da pluma devido ao atraso e impossibilidade da ressemeadura de alguns talhões da oleaginosa no atual ciclo.

O cultivo do algodão segunda safra ocorrerá, majoritariamente, entre janeiro e fevereiro, após a colheita da soja de ciclo precoce. A expectativa é que o relativo atraso na semeadura do grão possa estreitar a janela de plantio, contudo, os bons preços da pluma no mercado externo têm estimulado os produtores a aumentar a área de plantio da fibra em detrimento do milho segunda safra, cuja cotação na paridade de exportação está baixa. Diante desse cenário, projeta-se cultivo de 549,5 mil hectares da cultura de segunda safra no ciclo 2017/18. Assim, a área total de algodão, primeira e segunda safras devem totalizar 648,5 mil hectares, incremento de 3,3% em relação aos 627,8 mil hectares da safra anterior.

A produção estimada deve manter o volume acima das mil toneladas. Para 2017/18 a oferta da pluma deve somar 1,06 milhão/t, ou 5,2%, ante as 1 mil/t consolidadas no ano passado.

Como opção de segunda safra, o milho tem projeção de queda de 2,6% na produção, que deve sair de 28,61 milhões/t para 27,85 milhões/t. A redução está calculada na previsão de rendimento menor nessa safra, de também 2,6%. Até este levantamento, a projeção de área plantada se mantém inalterada ao Estado, em 4,60 milhões de hectares.

Os preços baixos do milho no mercado disponível têm segurado a tomada de decisão do produtor, que devido à abundante oferta nos estoques de passagem da segunda safra 2016/17, mesmo na entressafra, desestimulam o cultivo da cultura de verão no atual ciclo e por isso não há uma linha de tendência para projetar a área, segundo a Conab.

Na Região Centro-Oeste, principal região produtora de soja do País, é esperado incremento no plantio na ordem de 3% em relação ao exercício anterior, impulsionado pelo desempenho em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa. O clima favorável remete à produtividade condizente com a média histórica da soja. Assim, estima-se rendimento estadual de 3.155 kg/ha, número 3,6% menor que na safra passada, quando foi registrado produtividade recorde de 3.273 kg/ha, devido às excelentes condições climáticas naquela ocasião.

Em relação à área plantada, houve incremento de 2,4% devido a novas áreas de abertura e substituição de cultura, saindo de 9,32 milhões/ha na safra 2016/17 para 9,54 milhões na atual. O aumento do espaço dedicado ao cultivo da oleaginosa, aliado à expectativa positiva de produtividade, deve contribuir para manutenção do patamar produtivo de 30,1 milhões de toneladas.

O arroz que já foi bastante cultivado no Estado até o início do ano 2.000, deverá ofertar menos volume na atual temporada. O plantio do arroz sequeiro de primeira safra está ocorrendo em diversas regiões com redução de aproximadamente 11,3% em relação à safra passada. A queda é justificada pela substituição de áreas antes destinadas à orizicultura, agora, incorporadas ao plantio de soja. A maior parte das lavouras está em desenvolvimento vegetativo e os trabalhos de semeadura das áreas remanescentes serão finalizados nas primeiras semanas desse mês.

As condições climáticas favoráveis remetem à boa produtividade. Assim, o rendimento médio do arroz é estimado em 3.089 kg/ha. Com menor área dedicada à cultura, projeta-se produção de 414,9 mil toneladas do cereal no atual ciclo, ante às 488,4 mil toneladas na safra passada, queda de 15% no período.

No Centro-Oeste, terceira região que mais produz arroz no país, a previsão é que ocorra redução na área plantada de 9,2%, quando comparada com a última safra, tanto nas áreas de arroz de sequeiro, de 10,8%, quanto nas destinadas a arroz irrigado, de 2,9%.

Autor: diariodecuiaba.com.br
Fonte: diariodecuiaba.com.br

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