Publicada em 06/12/2017 às 12:07

Frutas, genes e microbiota: Como você vai comer melhor no futuro

Grandes nomes da ciência brasileira apontam as principais tendências de pesquisa no campo da alimentação que prometem aprimorar nossa dieta.

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Na última terça-feira (28 de novembro), aconteceu em São Paulo o Prêmio Saúde 2017, que reconheceu os melhores trabalhos brasileiros na área da nutrição. Todas as iniciativas inscritas foram julgadas por uma seleção de experts de diversas universidades e instituições do país inteiro.

Após a escolha dos três finalistas em cada uma das cinco categorias estipuladas, teve início a fase de votação popular aqui no nosso site. Os vencedores foram anunciados em uma cerimônia no Instituto Tomie Ohtake, no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista.

Nós aproveitamos a ocasião para conversar com quatro dos jurados que prestigiaram a festa. Perguntamos a eles quais foram as grandes notícias do mundo da alimentação em 2017 e as tendências para os próximos anos. Confira as respostas abaixo:

Um mundo obeso

Sonia_Tucunduva

Sonia Tucunduva Phillipi

Nutricionista, professora e pesquisadora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo

“O ano de 2017 foi muito difícil para a pesquisa em razão do corte de financiamentos. Mesmo assim, nossos cientistas tiveram a preocupação de produzir conhecimento sobre o comportamento alimentar e como os hábitos de vida influenciam a nossa saúde”

“É o exemplo do efeito de nossos costumes no surgimento da obesidade, do excesso de peso, do diabetes e das doenças cardiovasculares. Avançamos bastante nesse sentido.”

 

 

Epidemia de notícias falsas

Olga Amancio

Olga Amancio

Nutricionista, professora da Universidade Federal de São Paulo e presidente da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição

“A área de genômica, ou a relação entre aquilo que comemos e a expressão dos genes no DNA é uma grande descoberta que ainda vai dar muito o que falar. Mas gostaria de chamar a atenção para o mundo das notícias.”

“Tem muita gente que fala sobre nutrição e acha que entende do assunto só porque come. Não é bem assim. Sempre vemos surgir o demônio da vez, ou seja, algum alimento que faz mal e deve ser abolido da dieta.”

“Depois de um tempo, eles vão embora para que apareçam outros vilões. Precisamos transmitir informações mais corretas para a população.”

 

 

Carboidrato desce, frutas sobem

Marcia Gowdak

Marcia Gowdak

Nutricionista, diretora do Departamento de Nutrição da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

“Gostaria de destacar dois estudos que tiveram grande repercussão. O primeiro deles é chamado de Pure. Ele mostrou como a diminuição do consumo de carboidratos [pães, doces e massas, por exemplo] e o aumento na ingestão de gordura insaturada [presente em azeite, linhaça e abacate] têm um impacto muito maior na saúde do que simplesmente diminuir a gordura saturada [presente em carne vermelha, queijo e leite].”

“Outra pesquisa importante mostrou que a famosa recomendação de comer cinco porções de frutas e verduras por dia diminui mesmo o risco de doenças cardiovasculares. O problema é que no Brasil nós consumimos um terço disso. É muito pouco. Precisamos incluir pelo menos um vegetal em toda refeição que fazemos.”

 

Os bichos que vivem no nosso intestino

Dan_Waitzberg

Dan Waitzberg

Médico cirurgião, professor do Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e diretor-presidente do Ganep – Nutrição Humana

“O grande avanço da nutrição está no conhecimento sobre microbiota, o conjunto de bactérias que vive no intestino, e o uso potencial dos prebióticos e dos probióticos. Cada vez mais se observa a importância deles na manutenção da saúde, na prevenção das doenças e até mesmo no tratamento de vários problemas. Os trabalhos demonstram que a saúde do intestino influencia em outras áreas do organismo, como o cérebro, o fígado, a pele, os pulmões e até os ossos.”

“No nosso país, precisamos estabelecer o perfil da microbiota do brasileiro saudável. Assim, poderemos comparar aqueles que têm desequilíbrios na flora com um banco de informações do que é normal. Esse é um passo absolutamente fundamental.”

Autor:  André Biernath
Fonte: saude.abril.com.br

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